Da esfinge e seu enigma

A esfinge a olhou e disse:
_Decifra-me! Ou te devoro!
Ao que Beatriz respondeu, sem que o monstro esperasse:
_Esfinge, sua filha da puta,
Te aviso de antemão que nietzschiano é uma raça perigosa! Eu não só já decifrei o teu enigma, como vou te devorar! Mas não antes de te quebrar inteira na porrada!
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fevereiro 5, 2013 · 2:40 am

Das coisas que poderiam ser ditas…

Diante de tudo, eu não tenho nada a dizer… ou talvez tenha, mas agora escolho o silêncio do tempo da razão… porque talvez o tempo dele seja curto… porque ele já ta velho… e porque o afeto que sinto é maior que a mágoa e isso me faz não achar justo gastar seu tempo com isso… em nome de um tempo em que houve uma infância feliz que também fora construída por ele… onde as coisas eram diferentes. Se hoje, ele já não é o mesmo, tudo bem… eu também não sou… mas no que sou, ainda há uma grande parte que é dele e por isso, eu sempre lhe serei grata. Então, fico com a exuberância nobre da mudez.

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Do perto, do distante e do junto!

“_De volta ao lar! De volta a tudo o que eu quero pra mim e que já é meu por escolha ou sorte!”_ Era tudo o que ela pensava no momento daquele ‘agora’ em que acabara de chegar de viagem de sua terra natal, de uma terra onde havia nascido e vivido a primeira parte de sua infância, mas que sentia que não era sua. Não era sua terra, embora fosse… e sua gente, embora, uma parte, amada; não era sua gente como a gente a qual escolhera, incluindo sua mãe, dada pela vida e escolhida diariamente não apenas como mãe, mas como melhor amiga. Voltou naquele avião com um misto de angústia espetada no peito e uma alegria inexprimível pelo reencontro com tudo aquilo e aqueles que, de fato, importavam. Aquilo que era seu… Aqueles que eram os seus… embora soubesse que nada e ninguém é de ninguém… mas naquele momento ela os sentia seus e aquilo e aqueles eram tudo o que ela desejava, amava, acreditava e “possuía”… e se tudo não passasse de pura ilusão, com isso ela nem se importava… se tivesse medo das ilusões ou das possíveis realidades não seria ela… se deixaria de ser… e isso era tudo o que não queria, não ela, que sempre fora do risco… do tipo que joga todas as fichas em apostas altas… se perder, saberá que só perdeu porque acreditou que poderia ganhar, isso, por si só, já lhe deixaria em paz… mas se ganhar… Ah, se ganhar, nem o céu seria o limite, afinal, ela sempre fora magistral em não andar com os pés no chão… talvez esta seja para sempre a sua melhor qualidade… mas isso, apenas os loucos conseguirão enxergar e entender… apenas a sua gente… a gente que Beatriz levaria com ela (ou seguiria), não só em seus vôos mais distantes e mergulhos mais profundos, mas também em terra firme.Imagem

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Do Querer

Estaria o verdadeiro querer circunscrito em motivos certos ou se busca-se motivos para querer, de fato, não se quer; porque o verdadeiro querer se justifica em si mesmo, consistindo no fato de querer sem motivos?

 

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Atendendo a pedidos ;)

A dona do chuchu solitário (Para Hamilton Galles)

Dona Ana era uma jovem senhora de quarenta anos. Rosto bonito, corpo bem assentado. Uma morena clara de cintura fina e ancas largas. Ficara viúva ainda nova, aos 33 anos, no terceiro ano de um casamento feliz ao lado de Clodoaldo, um comerciante alto e de coração gentil.
Não tiveram filhos, viajava

m muito. Ana sempre gostou de conhecer lugares novos, capricho ao qual, o marido, estava sempre atento para atender-lhe cuidadosamente.
Numa tarde de verão de um domingo do mês de janeiro, o casal passeava pela quinta da boa vista quando, de repente, Clodoaldo, franzindo o cenho, levou as mãos ao peito e quedou-se ao chão, vítima de um infarto fatal.
De lá para aqui, Ana, não teve ninguém… depois do marido; nunca mais, mais ninguém… Entristeceu um bocado… nunca mais viagens… nunca mais passeios pela quinta… nunca mais domingos felizes… uma vez ou outra, recebia em sua casa uma ou outra amiga casada, para tomarem juntas o café da tarde.
Nestes sete anos, tivera muitos pretendentes: três deles a propuseram casamento, um deles, um rico marchand, um elegante homem do ramo das artes.
E Ana preferiu encerrar-se em sua solidão… de casa para a igreja, da igreja de volta para casa… assim se resumia a vida social que escolhera, era assim sua rotina… mas era, também, inevitável, que seu corpo, ainda jovem e formoso, reclamasse a escassez de vida à qual tinha se proposto, em forma de desejos ardentes, que, às vezes, chegavam mesmo a sufocá-la… Ana nutria um vulcão por dentro… um vulcão prestes a entrar em erupção, que vinha sendo censurado e reprimido desde a tragédia daquela tarde de domingo. Não era a toa que, nossa personagem, vinha sendo acometida de ataques de falta de ar constantes, acompanhados de pequenos e sucedidos espasmos pelo corpo, que culminavam em breves minutos de total paralisia.
Talvez Freud definisse, também nossa Ana, como uma histérica… Sim, Ana, vinha sofrendo frequentes ataques de histeria, devido aos desejos recalcados.
Era um sábado chuvoso do mês de outubro… Ana havia passado a tarde sentada na cadeira de braços, em frente à televisão, tricotando um suéter de fio de lã… depois de tantas horas, ali passadas, naquele ato corporal quase inerte, sentiu seu estômago reclamar a falta de comida e uma breve tonteira em cima da cabeça denunciava-lhe uma pequena queda na pressão. Largou o novelo de lã para o lado, levantou-se e foi até à cozinha de azulejos portugueses azuis, de seu apartamento antigo no bairro da Tijuca, no qual morava desde que se casara. Abriu a geladeira e uma expressão de espanto indignado tomou conta de todo o seu rosto ao constatar que não havia, em casa, o que se comer… nas prateleiras garrafas d’água, umas quase vazias, outras cheias até a borda, um suco de maçã industrializado e mais nada. Estava com preguiça de ir à rua para fazer mercado, devido ao mau tempo… e a fome a consumia…
Enquanto pensava no que fazer, avistou uma sombra, lá embaixo, na gaveta dos legumes…
Tomada da plenitude da esperança, Ana, abriu-a e viu que a sombra era a projeção de um único e solitário chuchu que reinava sozinho e imponente ali naquele espaço frio…
De repente, Ana, que abaixou-se para observá-lo melhor, segurando-o firme em suas mãos, foi acometida de tal falta de ar acompanhada dos tremores… em um ato de contemplação, achou esteticamente tão belo, aquele chuchu! Comprido e arredondado, de textura sulcada, que lembrava-lhe pequenas veias delineando a pele verde…
Ela, antes prostrada com os joelhos no chão, tombou para trás, encostando-se na parede, sentada sobre as ancas largas, de pernas escanchadas, sentindo uma onda de calor percorrer todo o seu corpo diante da geladeira…
Sua fome não era de comida! Percebia, enquanto dava outro destino àquele chuchu solitário que, neste momento, fazia, por ela, o que, depois de Clodoaldo, ninguém mais teve a permissão de fazer…
Seus olhos voltados para cima, com a boca semi aberta, formavam o retrato do êxtase de uma mulher em castidade, como o êxtase de uma santa… Ana parecia Teresa D’Ávilla, enquanto explodia estrondosamente em gemidos retumbantes, para, logo depois, sentir o silêncio daquela tarde fria, e a sensação da paz dos imortais, há muito afastada de si…
Levantou-se, ajeitando a calcinha bege de algodão e o vestido estampado. Respirou bem fundo, esboçando um largo sorriso, grata pela companhia que a desenclausurara de sua solidão… e agora, também, tinha uma dona: Ana, era a dona do chuchu solitário.
Caminhou até o portão, onde debruçou-se, fechou os olhos, sentindo a chuva fina molhar seus cabelos, e acendeu um cigarro, em uma tragada lenta e forte… porque, naquela fração de instante, como diria o finado marido, tudo o que ela precisava, era “dar uma fumadinha”…

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A pessoa certa…

A sensação de ter encontrado a pessoa certa na hora errada é o que mais me incomoda no meio disso tudo… me incomoda porque eu nunca senti essa sensação antes… Você, moço, foi o único que me fez pensar que eu tinha encontrado a pessoa certa… você é a pessoa certa! É a minha pessoa… pena, que, devido ao erro da hora, você não foi capaz de me reconhecer… De lá pra cá, continua tudo na mesma… e eu, depois de ti… não consegui me interessar de verdade por mais ninguém… depois de ti, nunca mais… Sexo por sexo é fácil! E pode ser também muito bom! Mas encontro de almas acontece raras vezes na vida… e eu acho que a única vez que me aconteceu, de verdade, foi contigo… Não, eu não te amo mais… o amor de Eros não suporta o tempo vivido na distância, na ausência da carne… Mas se eu disser que te esqueci, estarei mentindo… Você será a minha eterna possibilidade do que poderia ou deveria ter sido e não foi… Essa coisa inexplicável que me liga a você, parece não ter fim…

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Serendipidade!

E ela andava no ar…
Apática…
Sem nada a aspirar…
Assintomática…
Aparecida d’água… Ali desaparecida…
Adormecida n’água…
Acolá… em algum lugar…
Fluindo não sabia para onde…
Fria… de tantos naufrágios…
Deixando a correnteza levar…
Quando bem ali…
Onde não percebia…
Ele chegou… puxou uma cadeira e sentou-se… quieto… sem nada a mostrar…
Sem nada a dizer…
E assim… silencioso… ele ganhou sua atenção com apenas um olhar…
Sem precisar dizer uma única palavra…
Possuía olhos grandes… tristes… profundos…
Uns olhos de bicho e de mato… olhos de bicho do mato…
Fixos… firmes!
Selvagens e imensamente puros!
Ela não conseguia mais desviar os olhos para outra direção…
E ficaram os dois ali… um encarando o outro… naquele diálogo mudo, que não precisa de verbo para se fazer entender.
E aí, então, o inexprimível pôde ser entendido. O inexplicável ‘simplesmente’ aconteceu:
Ele era tudo o que ela queria e não buscava…

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